20 setembro 2017

Rui Tavares, o CETA e a AR

Assim não vale !



Cumprindo uma promessa feita na segunda-feira, Rui Tavares aborda na sua crónica de hoje no «Público» a questão da discussão na AR do Tratado Comercial entre a UE e o Canadá, vulgarmente conhecido como CETA.

Segundo Rui Tavares, «em Portugal, o debate parlamentar sobre o CETA foi adiado e depois antecipado, e acabou por realizar-se em apenas uma sessão, na segunda passada», considera que «perante um dos acordos comerciais mais importantes dos últimos anos, estamos limitados à rotina».E, de seguida,  conclui que não teria de ser assim pois basta comparar «isto com o que se passou no ano passado no parlamento regional da  Valónia, uma das regiões da Bélgica. (...) o acordo com o Canadá foi profundamente discutido pelo parlamento da Valónia durante vários dias. O governo belga foi forçado a procurar garantias e protecções de aplicação junto das instituições europeias e do Governo canadiano. E o Estado Belga acabou a apresentar um processo contra algumas disposições do CETA no Tribunal de Justiça da UE».

Por fim, como cereja no bolo, Rui Tavares zurze no que chama « a falta de comparência da elite política portuguesa no debate sobre o CETA» e conclui que «quando os políticos levam a sério o seu dever, até um parlamento regional  consegue fazer mais para regular a globalização do que a nossa orgulhosamente negligente Assembleia da República».
Apesar da relativa aridez do assunto, há nas observações de  Rui Tavares tantas omissões, confusões e inverdades que ale a pena esclarecer:
O CETA foi discutido em plenário da AR não uma vez mas três: em 12 de Janeiro de 2017 e ainda em Março e Setembro deste mesmo ano. 

No processo de debate em duas comissões - a de Negócios Estrangeiros e de Assuntos Europeus - por iniciativa do PCP foram obtidos pareceres de múltiplas entidades relacionadas com a temática em causa.
O PCP promoveu ainda em 31 de Março uma audição pública largamente participada e fez uma declaração política em plenário sobre o  tema em 5 de Abril de 2017.

 Rui Tavares ignora olimpicamente dois factos essenciais e cruciais : o primeiro é que a AR não tem poderes para alterarum tratado internacional de carácter multilateral como o CETA; o segundo é que a abertura de qualquer espaço para forçar o Governo a negociar ou obter concessões da UE dependia necessariamente da sua não ratificação ou ameaça de não ratificação pela AR, hipótese que ficou logo arrumada em 12 de Janeiro com os votos do PS, PSD e CDS, com a oposição do PCP, do PEV, do BE e do PAN.

Como o próprio Rui Tavares acaba por reconhecer o «êxito» da Valónia resume-se a ter levado o governo belga a apresentar uma queixa no Tribunal de Justiça, o que é manifestamente pouco tendo em conta que o CETA tem a particularidade de ser considerado um tratado «misto» em que 90% das suas disposições já entraram em vigor.
 A modos de conclusão, teria sido mais sério e mais justo que Rui Tavares, em vez de fustigar uma alegada «negligência» da AR,  fustigasse sim a fidelidade do PS, do PSD e do CDS ao CETA tal como ele está.

19 setembro 2017

Um livro estrangeiro por semana ( )

El ferrocarril subterráneo
(The Underground Railroad)


Lieratura Random House, 18,90 E.

Apresentação
:Galardonada con el Premio Pulitzer 2017 y con el National Book Award,El ferrocarril subterráneoha sido el acontecimiento literario del año en Estados Unidos.
Colson Whitehead es uno de los pocos escritores que ha conseguido ambos premios por el mismo libro. ConEl ferrocarril subterráneoentra a formar parte del grupo de grandes nombres como Faulkner, Proulx, Updike y A. Walker.
Una renovada visión de la esclavitud donde se mezclan leyenda y realidad y que oculta una historia universal: la de la lucha por escapar al propio destino
Cora es una joven esclava de una plantación de algodón en Georgia. Abandonada por su madre, vive sometida a la crueldad de sus amos. Cuando César, un joven de Virginia, le habla del ferrocarril subterráneo, ambos deciden iniciar una arriesgada huida hacia el Norte para conseguir la libertad.
El ferrocarril subterráneoconvierte en realidad una fábula de la época e imagina una verdadera red de estaciones clandestinas unidas por raíles subterráneos que cruzan el país. En su huida, Cora recorrerá los diferentes estados, y en cada parada se encontrará un mundo completamente diferente, mientras acumula decepciones en el transcurso de una baja...»

P.S.: este tema do «underground railroad», em termos musicais foi objecto de dois programas «A Idade dos Mídia » de Ruben de Caralho na Antena Um mas, de momento, não consegui encontrar os links.

 

Lei do Trabalho em França

A velha diferença entre
opinião e disposição de luta



 clicar para ler melhor

aqui

18 setembro 2017

Demagogia e cinismo

Com grande facilidade,
descobrimos quando
Cristas não se ralava com
o aumento da dívida


Desculpem muito, é em inglês





«Le operazioni di controspionaggio come parte della moderna condotta bellica sono funzionali alla sicurezza nazionale. Tuttavia, queste operazioni spesso prendono di mira civili e per questo possono originare accuse le cui conseguenze sulle vite delle persone possono essere devastanti. Lo scopo di questo articolo è quello di descrivere il meccanismo del maccartismo seguendo il caso delle persecuzioni di Charles Chaplin e Lucille Ball. I loro casi mostrano in modo adeguato le tattiche controverse e i metodi del maccartismo nell’America post-bellica. Per esplorare le reti utilizzate dalle autorità e dagli attori delle operazioni anticomuniste, questo contributo sfrutta le fonti archivistiche dei casi Chaplin e Ball che assommano ad oltre duemila pagine di documenti dell’MI5 e dell’FBI. Questa dettagliata documentazione offre un punto di vista sull’impatto che le accuse di spionaggio avevano sulle vite dei civili e offre un buon esempio sulle operazioni di intelligence nell’America post-bellica.»

Só uma pergunta fria mas inquieta

Onde é que isto vai parar ?

 DN de hoje

17 setembro 2017

Fim de domingo com o saxofonista

Jimmy Carpenter




Uma revista estrangeira por semana (1)

Cahiers d'Histoire

Os principais artigos deste número
estão disponí
veis aqui

Mesmo considerando isso, não creio ser assim

Se ele está a pensar na força
dos «constrangimentos», então
trago aqui um insuspeito
testemunho de 1987


«Estes pretensos constrangimentos internacionais fomos nós [*]mesmos que os quisemos, fomos nós mesmos que os edificámos e somos nós mesmos que, dia após dia, nos empenhamos em desenvolvê-los, Nós não temos mais liberdade de acção porque não quisemos mais ter liberdadde de acção »

Leonel Stoleru, economista, colaborador e apoiante do Presidente Giscard D'Estaing, no seu livro de 1987 «L'Ambition Internationale».

[*]: Estes «nós» aplicam-se evidentemente às correntes políticas que apoiaram e aprovaram os «constrangimentos» e não  às que os denunciaram e combateram.

16 setembro 2017